Cansei de ouvir colegas e amigos jornalistas comentarem que estavam cansados de morar em Porto Alegre, pois muitas vezes a Capital gaúcha mais se parecia com uma cidade do interior. Para eles, faltava muita peça de teatro com qualidade, bons shows, etc.
E quando aparece gente de peso, digamos assim, o que acontece? Os jornalistas ignoram. Pelo menos foi o que aconteceu recentemente.
A peça Usufruto, escrita e também interpretada pela excelente atriz Lúcia Veríssimo e pelo talentoso ator Cláudio Lins (dirigidos por José Possi Neto), não teve nenhuma divulgação - o que foi um absurdo. Os jornalistas deveriam fazer uma entrevista de, no mínimo, meia página.
Lúcia Veríssimo escreveu a peça em homenagem a um de seus ídolos, o escritor, sociólogo, critíco literário e folósofo francês, Rolnd Barthes. A peça é um verdadeiro espetáculo. Muitas vezes Lúcia chegou a filosofar no palco, o que deixou a plateia satisfeita.
Os atores discutem, em tempo integral, a complexidade dos relacionamentos, a hipocrisia da sociedade e a quantidade de mentes retógradas que há por aí. Tudo isso com muita ironia e bom-humor - qualidade nata de Lúcia Veríssimo.
Foi, sem dúvida, uma das melhores peças que já assisti na vida.
O que não me agradou, como citei anteriormente, foi a inércia da mídia; mídia esta que prefere divulgar peças onde um cara se veste de gaúcho e faz as palhaçadas mais sem graça e... todo mundo adora. Mas é o que o povo gosta, não? Pelo menos foi o que constatei aqui com os gaúchos: as pessoas não gostam de pensar e muito menos de se questionar. Uma pena; para eles.